Bebianno cai primeiro. Faltam muitos outros.

Em 02 de janeiro de 2019, Gustavo Bebianno assumiu formalmente a Secretaria Geral da Presidência, galgando o status de ministro. Bebianno, um dos mais fiéis seguidores de Bolsonaro, trabalhava desde 2017 para viabilizar o capitão reformado do Exército  como Presidente da República.

Na posse, Bebianno celebrou a vitória:

É uma honra, para mim, participar desse momento histórico. O qual, para mim, foi iniciado em 2017 e coroado de êxito no dia 28 de outubro

Ainda assim, em menos de dois meses de governo, Gustavo Bebianno foi o primeiro a ser demitido. Após a Folha revelar esquema de candidaturas laranjas do PSL em Minas e Pernambuco, Bebianno foi o bode expiatório do governo, já que ocupava, na época dos desvios, a presidência nacional do partido.

A crise se agravou quando Carlos Bolsonaro, filho do Presidente, usou do Twitter para chamar o então ministro de mentiroso.

O ataque – considerado fogo amigo – foi endossado pelo Presidente Bolsonaro em entrevista para a Record, tornando a situação de Bebianno insustentável.

A queda era considerada inevitável. E assim foi.

Mas há consequências

O episódio abre um precedente extremamente desagradável para o novo governo. A impressão que fica para aliados e opositores é que se Bolsonaro é capaz de execrar um de seus aliados mais próximos dessa maneira, não há margem de segurança.

Para por panos quentes na desconfiança generalizada que tomou conta do Congresso, Bolsonaro acelerou a apresentação de propostas. Na terça, Sérgio Moro apresentou um fatiado projeto de lei “anticrime”. Na quarta, finalmente jogou-se luz sobre a proposta de reforma da previdência.

Surtiu efeito. As manchetes dos principais jornais mudaram. Passaram a cobrir as mudanças previdenciárias e até esqueceram um pouco dos áudios e entrevistas de Bebianno, vexatórias para o governo.

Mas a verdade é que a imprensa teve sua primeira grande vitória contra Bolsonaro. Apurou, publicou, denunciou e seu ministro de confiança caiu.

Fica a lição: se organizar direitinho, dá para derrubar todo mundo.

Pedro Henrique Rodrigues da Silva

Pedro Henrique

Esse silêncio todo me atordoa. Atordoado eu permaneço atento.

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